quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A profissão, o PIG, o coronel, os deputados a Fiesp e pasmem! o trabalhador, aquele que faz todos os outros existirem...


Não tenho muita leitura sobre o tema, nesse caso perdoem alguma bobagem da minha parte, mas, assistindo o Bom dia Brasil de hoje, (mesmo ruim, é a forma de saber o que o PIG está pensando) falou-se sobre a PL que regulamenta as profissões, o que me chamou a atenção, não pelo tema em si, que já faz tempo que no congresso tenta-se regulamentar, foi o tom jocoso dos apresentadores em relação a algumas profissões que atualmente não são regulamentadas e que são conhecidas pela pouca exigência técnica. O ar de deboche e o sorriso no canto dos lábios, fazia parecer que estavam falando de algo que não se tem muito valor, porém, acreditem!!!estamos falando aqui no Bom dia Brasil e está sendo discutido no Congresso!

Além da forma preconceituosa que tratam as diferentes classes no país, a segunda coisa que chamou a atenção foram os discursos dos que são contra a regulamentação: "O deputado Rubens Bueno (PPS-PR), líder do PPS na Câmara, acha que o Congresso só deve regulamentar profissões que exijam conhecimentos muito específicos ou teóricos. “A Constituição garante o livre exercício da profissão, da sua atividade profissional. Não é agora nós é que vamos, através de uma lei, restringir a liberdade de você poder trabalhar”, afirma." fonte:http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2011/10/projeto-que-regulamenta-profissoes-como-garcom-divide-congresso.html

A primeira questão séria na afirmação deste deputado é quando este desconsidera algumas profissões ao adotar o critério que somente é possível a regulamentação com a exigência de conhecimentos específicos e teóricos...uma clara defesa ao retorno (se pudesse) do sistema "Casa Grande e Senzala", ou seja, os que podem e os que não podem.
Sem regulamentação de profissões, quem não teve a chance de estudar, será punido duas vezes, uma por não usufruir de conhecimentos oriundos de uma educação escolar, outra por não conseguir ter uma profissão regulamentada.

São nessas horas que vejo que temos no país a forte herança maldita da cultura retrógrada de barões, coronéis, sinhôzinhos... que tratam as pessoas pelo seu grau de nobreza, financeiro, ou conhecimento...

A segunda questão na fala do dep. é sobre a possível asneira proferida pelo mesmo, ou a tentativa de persuadir o cidadão num raciocínio equivocado. Num primeiro momento ele tenta me fazer pensar que garantir o livre exercício da profissão descrito na Constituição, tem algo a ver com restrição de liberdade para poder trabalhar quando o assunto é a regulamentação, ora, para exercer uma profissão com "liberdade" ela (profissão) precisa existir e se ela não existe não está regulamentada e se não está regulamentada qualquer um pode fazer, assim como qualquer salário pode ser pago...e para mim é isso que está em jogo! A segunda bobagem é a tal restrição da liberdade de você poder trabalhar.... aqui ele pegou pesado...desde quando o -trabalhador- e por isso a nomenclatura, ou seja, o que somos, tivemos a chance da liberdade no quesito trabalhar ou não? ou vc trabalha ou tá ferrado....

"Hélio Vasconcelos, presidente da Associação de Recursos Humanos do Distrito Federal, diz que em alguns casos o profissional pode até ser prejudicado. “As secretárias estão sendo substituídas por assistentes. Ou seja, existem muitos pré-requisitos para se colocar, para se admitir essa secretária. E o que ocorre? O pessoal prefere, então, admitir uma assistente que não tem nenhum tipo de exigência”, conta."

Vejamos!!! na fala do Sr. Hélio, que é presidente de uma Associação de Recursos Humanos, ou seja, aquela turma que emprega e dispensa pessoas, principalmente nas empresas, o tom é ameaçador no seu discurso contra a regulamentação. "O profissional pode até ser prejudicado" e podem ser substituídos por pessoas com poucas exigências, a pergunta que não quer calar é: Quem prejudica os profissionais, quem são esses "pessoal"????????????

Mais uma vez, vemos a luta de classes a olhos nus... Se regulamentar quer dizer pagar mais por conta de um trabalho mais técnico e qualificado, o que as empresas nos falam é o seguinte: se tiver que pagar mais eu contrato sem exigências pois quero pagar menos!

Além de manter salários baixos, observamos que o cliente, objetivo fim dos produtores e prestadores de serviços, está num terceiro plano nesse quebra-cabeças....

Não vamos esquecer que volta e meia, o discurso da FIESP e muitas vezes do próprio governo é que no Brasil falta mão de obra qualificada, e por isso, baixos salários...uma piada!!!! sendo que eles próprios (o tal pessoal) ameaçam contratar sem muita exigência quando o assunto é pagar um pouco mais...

Por fim, acho que esse é um debate elementar na luta pela melhoria da qualidade de vida... sei que tem pessoas com muito mais cacife para tratar desse assunto do que eu...e que poderia ajudar nesse debate com maior facilidade!! Os comentários serão bem vindos...


Cadu

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Definição de filho por José Saramago


Definição de filho por José Saramago:

"Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo".

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Intelectuais se dobraram à alienação do trabalho, diz Marilena Chauí


(CLAUDIA ANTUNES - DO RIO)

Na chamada sociedade da informação, os intelectuais se dobraram à alienação do trabalho: não têm mais controle sobre o que produzem, e sua obra é uma mercadoria que não revela a subjetividade do autor.
O misto de acusação e lamento foi feito pela filósofa Marilena Chauí na noite de quarta-feira (17), no Rio, na terceira conferência da série sobre o "elogio à preguiça", que acontece também em São Paulo e Belo Horizonte. "A maneira pela qual os acadêmicos se renderam à ideia de produtividade, de controle de qualidade e de ranking é um escárnio. É a destruição da vida do pensamento", disse a professora da USP.
Segundo Chauí, nas formas anteriores do capitalismo, o intelectual era um "trabalhador improdutivo", porque a ciência e os conhecimentos eram aplicados indiretamente na produção, por intermédio da tecnologia.
"Hoje, todas as ciências deixaram de ser um conhecimento que passa ao largo do capital, para depois serem aplicadas. Elas se tornaram uma força produtiva. É isso que significa a afirmação de que todo poder está na informação. A subordinação do intelectual à lógica do capital se fará com a mesma ferocidade em que ela se fez sobre o proletariado."
Na sua conferência de mais de uma hora, para um auditório de 300 lugares lotado, na Academia Brasileira de Letras, Chauí deu uma espécie de aula sobre "O Direito à Preguiça", de Paul Lafargue (1842-1911), publicado em Paris em 1880. O genro de Karl Marx, nascido em Cuba de uma família que misturava mulatos e indígenas caribenhos com um judeu francês, escreveu o livro-panfleto em reação à derrota da Comuna de Paris, em 1871.
Ele questionava por que os trabalhadores haviam aderido ao "dogma do trabalho" assalariado, considerando-o uma conquista revolucionária. Propunha a redução da jornada de 12 para três horas diárias. "Ao apertar o cinto, a classe operária desenvolveu, para além do normal, o ventre da burguesia", dizia.
No tempo livre, os trabalhadores iriam desfrutar da "boa vida", e perceberiam a "virtude da preguiça". Na sua origem latina, virtude quer dizer força e vigor, disse Chauí. Portanto, a preguiça iria, segundo Lafargue, fortalecer o "espírito" dos trabalhadores.
Já naquela época, o socialista revolucionário apontava a criação de necessidades fictícias de consumo e a produção de supérfluos para garantir a reprodução do sistema, em que a parcela do trabalho não remunerada (a mais valia) garante o lucro.
Numa referência à ofensiva religiosa que se seguiu à derrota da Comuna --na época foi construída a basílica de Sacre Coeur, em Montmartre, e incentivado no campo o culto a santa Bernadete--, ele escreveu o livro como paródia de um sermão, em que até o descanso de Deus no sétimo dia era citado como exemplo do direito ao ócio. "Não é a irreverência de um ateu, mas a crítica ao trabalho assalariado como trabalho alienado", disse Chauí.
Antes de discutir o panfleto de Lafargue, a filósofa fez um breve histórico da visão paradoxal que a tradição ocidental tinha do trabalho até os calvinistas lançaram a máxima de que "mãos desocupadas são a oficina do diabo" --na famosa conjunção entre a "Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" identificada por Max Weber.
No Gênesis da Bíblia, por exemplo, o trabalho é imposto como pena eterna a Adão e Eva, que não mereceram o paraíso. A preguiça, portanto, é um pecado capital. Ao mesmo tempo, a ideia do trabalho como "desonra e degradação" faz com que ele não seja visto como opção de quem tem livre arbítrio.
"Essa ideia aparece nas sociedades escravistas, como a grega e a romana, cujos poetas não se cansavam de proclamar o ócio como um valor indispensável para a vida livre e feliz", disse Chauí. A palavra trabalho não existia em grego e em latim, lembrou ela. "Os vocábulos ergon (em grego) e opus (latim) se referem às obras produzidas e não à atividade de produzi-las."
A palavra latina que deu origem a trabalho é "tripalium", um instrumento de tortura. O latim "labor", que originou o inglês "labor", significa esforço penoso. "Não é significativo que em muitas línguas modernas recuperem a maldição divina contra Eva, usando a expressão trabalho de parto?", perguntou a professora.

sábado, 9 de julho de 2011

RESISTIR SEMPRE




Esse blog se inspira na musica Roda Viva principalmente no que diz respeito a RESISTÊNCIA! Ser contra o moinho humano ou o humano moinho.
A invés de deixar ser moído, RESISTIR! Ir contra corrente, contra as informações moedoras de sonhos, esperança e entusiasmo. Empurraremos e empurraremos para o lado contrário da força que nos empurra para o precipício, para o moinho. Faremos isso até o esgotamento das nossas próprias forças, pois acreditamos na vida...acreditamos no ser humano... "A gente quer ter voz ativa - No nosso destino mandar - Mas eis que chega a roda viva - E carrega o destino prá lá ...A gente vai contra a corrente - Até não poder resistir - Na volta do barco é que sente - O quanto deixou de cumprir - Faz tempo que a gente cultiva - A mais linda roseira que há - Mas eis que chega a roda viva - E carrega a roseira prá lá..."

Roda o Moinho